Casamentos na Pandemia

A transmutação através do fogo

Texto: Letícia Fülöp e Carla Alves

Dando continuidade à nossa minissérie de editoriais, que retratam um retorno à nossa essência através dos 4 elementos, chegou a vez de nos inspirarmos pelo fogo. Esse elemento tão poderoso representa a ação, o ímpeto e a criatividade. Simboliza expansão, luz e coragem. Fogo é movimento.

Desde o início dos tempos o fogo é parte de rituais de conexão e transmutação. Quase todos os rituais, religiosos ou não, são realizados na presença dele. Sendo assim, trazemos a simbologia dos rituais com o fogo, que falam sobre transformação, e, numa releitura para um tempo atual, retratamos uma noiva que ritualiza o fim de um ciclo (solteira) e início de uma nova vida (a vida de casada).
Quantas vezes não foi preciso que nos transformássemos e reinventássemos pra viver novos ciclos?

Casamentos na Pandemia

Ohana queima uma carta com um trecho do poema de invocação da Deusa Brígida – a Deusa tríplice do fogo. Brígida, que significa “luminosa” traz o fogo da inspiração, da poesia, da cura e da adivinhação. Entre as chamas vemos algumas palavras que se transformam em cinzas: “Deixe que eu me aproxime de você (…) Deixe que eu a comova, anime, estimule até que suas perspectivas mudem (…) e a vida pareça muito doce”.

As mulheres que dançam ao redor do fogo foram lidas muitas vezes como bruxas. Hoje, ao olhar pra trás, entendemos essas mulheres como o início do movimento feminista. Os primórdios do que hoje conhecemos como aromaterapia, fitoterapia e farmacologia doméstica era chamado de bruxaria. Mulheres lutavam por seus direitos, que sentiam desejo de estudar medicinas alternativas ou mesmo que escolhiam não se casar eram perseguidas por não se encaixarem a um padrão estabelecido pela sociedade.

Hoje temos vemos as mulheres bruxas com olhos diferentes, e recorremos a essas mulheres: uma pergunta pro tarot das deusas, um banho pra melhorar a energia da semana, uma meditação com um cristal ou um ritual na lua cheia pra levar embora tudo que não serve mais.
Quem não ama uma bruxaria? Somos todas bruxas.

A fotografia de Carla Ao fotografar um ensaio sobre o fogo nada mais divertido que brincar com lightpaiting e todas as possibilidades que o fogo e uma baixa exposição nos permite.
O ensaio conta a história de uma mulher, que num ritual intimista e vestida de noiva, dança sozinha em volta da fogueira no jardim de sua casa.
O fogo cobre tudo a sua volta com uma luz quente e revela de forma sinuosa, o corpo feminino coberto pela renda do vestido.
A fotografia é toda feita com a luz do entardecer e do fogo, pra que a identidade transbordasse todo o calor e força que esse elemento ostenta. Ao criar com baixa exposição, o corpo pintado cor de fogo, se perde na escuridão e nas sombras e vira parte da noite.

Ohana olha com encantamento pra chama que dança resistindo ao vento, e brinca, tentando domá-la. A fogueira se consome com pressa e as madeiras estalam produzindo nuvens de faíscas que pairaram no ar. Tudo isso é registrado de forma artística pelo olha de Carla e vemos um ensaio que transborda poesia que só a luz do fogo pode nos proporcionar.

O vestido, assinado pela estilista Júlia Parker, tem duas partes:  O vestido base é um vestido super minimalista de crepe com saia de nesgas e alcinha; A ideia é combiná-lo com uma capa para a cerimônia e, depois, para a festa, tirar a capa e pra poder curtir à vontade. Por ser um modelo bem “basiquinho”, pra hora da festa ele pode ser personalizado com um cinto, um bordado, ou com diversas possibilidades de acessórios…  
A capa é em Tulle mini poá, com blusa quimono e saia godê com cauda. O decote na capa é todo bordado em pérolas de tamanhos e tons variados, dando um efeito natural, inspirado na areia da praia. O cinto bordado em pérolas com desenho de folhas.

As joias da CHAPA, marca criada por Laís Dias, trazem originalidade à produção. Inspiradas por experimentações com o metal, as peças ganham formas e refletem o processo de Laís na bancada.
E é o fogo, elemento fundamental para a transformação do metal em joia. Da preparação das ligas à possibilidade de moldar o material. De cor avermelhada, as joias de cobre da CHAPA trazem simplicidade e elegância nas formas.

A inspiração de Débora para a beleza vem da luz e do calor do fogo, que foram representados na maquiagem através de cores quentes como amarelo, laranja e vermelho e do brilho. A pele iluminada também se fez presente para reforçar esse efeito. O cabelo com ondas e um leve volume representa o movimento da chama. Tudo para que o resultado final da beleza transmitisse a energia encantadora do elemento fogo.

O Bouquet e a Grinalda, da Amuleto de Flor, vem trazendo nas suas flores e pedra todo o simbolismo do fogo…  A começar pela Pirita: O termo “pirita”, que dá acabamento tanto ao bouquet quanto à grinalda:  vem do grego que significa “pedra de fogo” e é uma pedra que potencializa as boas energias, a prosperidade, vitalidade, proteção espiritual e o equilíbrio físico e emocional.
A escolha das flores, além da paleta vibrante do fogo, a composição desse amuleto trouxe também a Protea, que representa transformação e esperança, a Arruda, que Traz Proteção, o Alecrim, quetraz disposição, e o eucalipto que purifica. Complementam com suas cores, aromas e vibração as Calas, Estrela de fogo, Amaranto, Craspedia, Rosa spray e o Capim pluminha.

Casamentos na Pandemia

FICHA TÉCNICA:
Idealização: Só o Santo Ajuda ( @soosantoajuda ); Mais ArtEventos e Carla Alves Fotografia 
Produção: Mais ArtEventos ( @maisarteventos )
Fotografia: Carla Alves (@carlaalvesfotografia)
Modelo: Ohana Monteiro ( @ohanamonteiro )
Joias: Chapa ( @usechapa )
Vestido: Ateliê Julia Parker ( @ateliejuliaparker )
Beleza: Debora Riete ( @riete.debora )
Bouquet e Grinalda: Amuleto de flor ( @amuletodeflor ) 

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